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Sinal de cavalos paralelos


"Morfismos - Poesia 61" 
1961
Fiama Hasse Pais Brandão


Sinal de cavalos paralelos
castrados de rotações
infecundos para o vácuo
ou ventre ou crina vidro
ou espasmo
ou vidro ou branco
crina
Sinal de fêmeas
com ventre no bojo da lua
desflorada
o quadrante cor
nem pleno branco
ou crina ou vácuo ou espasmo
ou branco
O vácuo branco
nem cavalo espasmo vidro
o equilátero do tempo
prenhe
éguas
sirenes largas decapitadas retinas
o alarme dos ponteiros sucessivos ancas vértices
no branco no pleno no espasmo no vácuo
das cores dos sinais

Lisboa tem suas barcas


Fiama Hasse Pais Brandão

Barcas Novas
En Lixboa, sobre lo mar
barcas novas mandei lavrar.
..............
..............
João Zorro


Lisboa tem suas barcas
agora lavradas de armas

Lisboa tem barcas novas
agora lavradas de homens

Barcas novas levam guerra
As armas não lavram terra

São de guerra as barcas novas
no mar deitadas com homens

Barcas novas são mandadas
sobre o mar com suas armas

Não lavram terra com elas
os homens que levam guerra

Nelas mandaram meter
os homens com sua guerra

Ao mar mandaram as barcas
novas lavradas de armas

Em Lisboa sobre o mar
armas novas são mandadas

1) Para aqueles a quem não ocorra de imediato o contexto histórico, aqui fica a nota de que à data deste poema, seguramente do início dos anos sessenta, embarcavam em Lisboa os primeiros contigentes militares a caminho da guerra colonial.
2) Embora a capa do livro tenha sido publicada na inserção anterior, aqui fica também a imagem desta página com os nomes dos poetas publicados e dos organizadores da antologia.