Deixemo-nos de megalomanias

De Vasco Costa Marques
Deixemo-nos de megalomanias
Do mar tudo o que temos
é a orla costeira
e a maresia

O mar a conquistar
está noutro espaço
onde não chegam naves
de vela e mastro
e onde a Terra discreta
não passa
de terceiro planeta
e nela um Portugalinho
de Frei Bartolomeu
e de Gago Coutinho

Porque quanto ao satélite
que se atirou pró ar
esteja onde estiver
ande por onde andar
talvez seja melhor nem se falar

No entanto
mesmo sem cartão Visa
Há muito onde chegar
o nosso engenho e arte
muito onde ferrar
o dente o Siza
e o Damásio apontar
o erro de Descartes
e porque não falar
no Saramago
levantado do chão
com o mesmo à vontade
com que à cegueira
deu visibilidade
nobelizando o português
parente pobre
que assim passou
do esquálido
"vae victis"
sem bula pontifícia
a "urbi et orbe"

1 comentário:

Janaina disse...

Caríssimo JG,
dentre outros, este também é preferido por mim.
Pois é exatamente este o Mar que desejo adentrar,
"O mar a conquistar
está noutro espaço
onde não chegam naves
de vela e mastro
e onde a Terra discreta
não passa
de terceiro planeta".
E que nesta ocasião, não falte-me uma âncora, que também é simbolo de esperança!
Abraços