Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.


"Poesias completas de António Gedeão"
1968
António Gedeão

Amostra sem valor
Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível;
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

3 comentários:

Luiza M. Nogueira disse...

Gostei muito. Cada um se diverte no seu desespero, quanto bom humor nesse poema. :)

Janaina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Janaina disse...
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