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Pois parolando


Vasco Costa Marques

Pois parolando
cá vou andando
tropeçalando
mas garimpando
ou ecoando
despoletando
ou implodindo
E com gerúndio
desirmanado
desirmanando

Seja bem vindo



O mar veio visitar-me

De Vasco Costa Marques
O mar veio visitar-me
ao hospital
sem hora de visita
ou diagnóstico
penduram-no num frasco
de cabeça para baixo
e rabo para o ar
e chamaram-lhe soro fisiológico

Vasco Costa Marques sofreu dois AVCs. Entre o primeiro e o segundo, de que nunca recuperou totalmente, escreveu e publicou "Algumas trovas de haver o mar" e "venham de lá esses ossos". A "experiência" da doença aparece várias vezes na sua obra, frequentemente com ironia, como é o caso deste pequeno poema.
Na foto, Cecília Costa Marques, sua mulher, na sala de espera do hospital S. Francisco Xavier no dia em que VCM aí deu entrada com o segundo AVC.
Caricatura de Vasco Costa Marques no cartão assinado pelos colegas da agência de publicidade Latina quando da sua saída para a reforma.

A prima freira

Conhecida por Blá, era tia (hoje, dias depois de colocar esta entrada, descobri numa carta que não era a tia Blá, mas sim a prima Blá. Claro que não é importante, mas...) de VCM pelo lado paterno. Pelo que ouvi, era uma daquelas freiras enérgicas e bem dispostas que apareciam regularmente em alguns romances para jovens. O sorriso, na fotografia, parece confirmá-lo,

Retrato de familia

Retrato na casa da familia, em Mafra: Costa Marques, futuro miltante comunista, sentado de chapéu; saudando à maneira fascista, o seu irmão, Mário; à direita, de chapéu de palha, o pai, monárquico; ao centro, a mãe.

A vida para além da poesia

Não fazia alarde, raramente falava das suas aventuras e desventuras políticas. Mesmo assim, aqui fica a nota sobre a sua prisão. Dando ouvidos à minha memória, terá havido uma segunda, já que a sua filha me falava de se recordar de, muito pequena, ir com a mão ver o pai à prisão, e não podia referir-se ao episódio referido no documento, pois à data tinha menos de um ano. Talvez alguma passagem mais curta e sem registo, coisa que presumo vulgar na época. 
No Post anterior, um poema bem neo-realista, a condizer.  

Identificação

Profissionalmente,  Vasco Costa Marques foi um homem da publicidade. É da sua autoria o conhecido slogan "Bosch é bom", com frequência erradamente atribuído a Alexandre O'Neill.  Sem meter totalmente as mãos no fogo, creio ser também da sua autoria a popular campanha "Antracol vence o míldio", que durante uma boa parte dos anos 6o acompanhou as tardes de domingo dos adeptos de futebol . 
VCM teve a sua própria agência, a "CM Publicidade", e passou pela "Latina", entre outras. Vem a propósito recordar que pelos anos 60 e 70, a publicidade seria um dos (poucos) sectores de actividade que acolhiam gente da oposição ao regime com ligações conhecidas ao Partido Comunista.    

Retrato

Manuel Marques, pai de Vasco Costa Marques, nascido em 1897, natural de Mafra, freguesia de Santo André.    

Retrato

Vasco Costa Marques, o mais novo, com a mãe e o irmão em fatinho de marujo, como se usava na época. Não resta nenhum. Sou, por vezes, levado a ver nos olhos de menino de VCM uma espreitadela apreensiva aos os dias futuros.

Da época

Mafra, como indica o estandarte, de onde era a família paterna de VCM, mas em que anos? Década de quarenta, sendo um dos miúdos o VCM, o que justificaria a existência da foto?
Membros da Legião, e rapazotes da Mocidade Portuguesa, organizações fascistóides - fascistas, e com razão, para os mais sérios e mais preocupados com a política do que com o rigor dos conceitos - , em cujas redes, de acordo com a diabrite da publicação anterior, quase caía o bacalhau - e os bacalhauzinhos, por influência do Tenreiro, senhor da legião e das pescas antes do 25 de Abril.