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Com restos que ninguém nunca mais reaquece

De Vasco Costa Marques
Com restos que ninguém nunca mais reaquece
Com os cães de Pavlov com pianos antigos
Com a tua voz off e o abraço dos amigos
Assim em mim também o modo permanece

E faço a tradução para calmos vitrais
Ou vou sacerdotal arremessando os dados
Construindo no sal dos dedos amputados
O tricot da canção da lição dos sinais

Mas sei que voar de jumbo em vinho violeta
Não é ter o controlo dos motores de reacção...
Não se transmuta o chumbo inerte da paleta
Não há chave cobol que liberte esta mão

Meu velho Jau

De Vasco Costa Marques
Meu velho Jau
razão tinha-la tu
até onde com meu olho bom abarco
tudo isto é charco
e o rei vai nu

Tudo porque o meu fado é mal fadado
Juro por minha fé
repara nesses dois
o Chiado e o Pessoa ali sentados
e eu de pé

E o Camões do Loreto
mudou a pala
do olho mau para o olho bom
e fez uma soneca
em vez de magicar outro soneto
talvez com tranças pretas
a rimar com violetas
e no seu sono
sorria a relembrar o canto nono